terça-feira, 25 de novembro de 2008

American Music Awards 2008 – A maior premiação da música americana!

Foi realizado nesse domingo (23/11/2008) o American Music Awards2008 (AMA), em Los Angeles. Trata-se de uma das maiores premiações anual da música norte-americana (ao lado dosGrammys). 

A noite foi dominada pelas mulheres: Alicia Keys, que teve o maior número de indicações, fez uma das melhores performances da noite assim como Mariah Carey (que recebeu um prêmio honorário por ser a cantora com o maior número de músicas N° 1), Christina Aguilera (que abriu o show comemorando 10 anos de carreira), Rihanna, Natasha Bedingfield, Beyoncé, entre outros. Na ala masculina, Coldplay foi o grande destaque. Subiram ao palco também Jonas Brothers, Chris Brown, além do rapper Kanye West.

Pelo segundo ano consecutivo, os vencedores foram determinados por uma votação online. Os grandes vencedores da noite foram Chris Brown (com 3 prêmios, incluindo o de artista do ano) e Alicia Keys (com dois prêmios, incluindo o disco do ano com seu “As I Am“).Rihanna também recebeu dois prêmios (incluindo o de melhor artista feminina) e a banda inglesa Coldlay, indicada a 4 prêmios, saiu de mãos abanando. Chris Brown chegou a demonstrar surpresa quando foi anunciado como vencedor do prêmio de artista do ano, e disse no seu discurso: “Esse prêmio devia ser do Coldplay!“

Sem nenhuma apresentação decepcionante, o American Music Awards foi uma pequena amostra de como será o próximo Grammy, que será realizado em fevereiro de 2009.

Veja os vídeos das melhores apresentações da noite:


















domingo, 9 de novembro de 2008

Teatro: Os Difamantes



Para alguém ser feliz é preciso ser famoso e rico? Fui assistir a uma comédia no teatro UFF que tem como tema essa pergunta. O espetáculo entitulado Os Difamantes é estralada por Emílio Orciollo Netto e Maria Clara Gueiros (aquela do: ‘Te conheço?’) e brinca com o culto às celebridades e o desejo de se tornar uma delas.

A história se passa com Maurício, um advogado, e sua mulher, Beatriz, professora de educação física. Ambos estão cansados de seus empregos e também de sua rotina. Então, resolvem criar um talk show, onde recebem convidados em sua cama e realizam entrevistas e comentários a respeito de programas de TV. No decorrer dos programas, os dois analisam e criticam o mundo dos famosos e o mundo do casamento. O projeto é aprovado por um canal de televisão e o casal se pergunta: será que vão se tornar celebridades e fazer tudo o que criticam?

Os dois atores estão incríveis, com destaque para o Emílio, cujo talento eu desconhecia.

Segue abaixo dois trechos da peça que eu filmei e postei no youtube e mais um vídeo comercial do espetáculo:






domingo, 12 de outubro de 2008

Ser Criança



Ser criança é saber aproveitar a vida com a melhor das intenções. É acreditar no tempo presente, aceitar o novo e ver nele boas possibilidades. É andar confiante por caminhos difíceis na determinação de desvendar o desconhecido.

Ser criança é estar em constante aprendizado, é querer buscar verdades, descobrir coisas sem a armadura do medo. É aprender com cada queda e não deixar que elas te desanimem de tentar denovo. É acreditar, esperar, confiar!

Ser criança é ter um sorrisão escancarado no rosto, mesmo em dia de chuva. É adorar deitar na grama, ver figuras nas nuvens, criar histórias. É gostar da brincadeira, do sonho, do impossível… é saber nada e mesmo assim poder tudo!

Ser criança é saber embrulhar desapontamentos e afogá-los no esquecimento tão rápido quanto abre uma caixinha de surpresa de novas possibilidades. É misturar lágrimas com sorrisos. É estar chorando e no meio do choro começar uma gargalhada.

Ser criança é gostar de quem olha no olho e fala baixo. É brigar, bater, xingar e minutos depois ser capaz de brincar, abraçar e amar a mesma pessoa que outrora odiou. É ser capaz de perdoar com uma sabedoria genuína que nem os maiores sábios da história conseguiram ter.

Ser criança é cantar fora do tom e dar risadas se alguém corrigir. É não deixar nada estragar um dia inteiro e saber que nada é capaz de tomar um dia de alegria.

E ser criança é, também, ser um adulto que sempre se lembra que foi criança um dia. Um adulto que consegue penetrar em seu mais precioso território e reencontrar a criança que vive ali, naquele pedaço onde você se esconde de todos os percalços e se fortalece a cada tropeço. É ter a ingenuidade restaurada a cada dia e se ver como um herói na história de sua própria vida, tendo uma criança que o abraça e que torna o tempo imutável e sagrado.

Ser criança é saber ser feliz!

Feliz dia das crianças para todos nós!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Livro: Relato de um certo Oriente - Milton Hatoum

Romance de estréia de Milton Hatoum explora as memórias de uma família libanesa radicada em Manaus.



Quando nos deparamos com uma narrativa, nossa expectativa geralmente é a de encontrar um texto linear, com as ações ordenadas cronologicamente e com um narrador que nos possibilite visualizar os personagens através da descrição de suas características físicas. Todas essas expectativas devem ser abandonadas para a leitura de “Relato de um certo Oriente”, romance de estréia do promissor escritor Milton Hatoum, que conta a história de uma família de imigrantes libaneses na Amazônia brasileira.

No Brasil, são diversas as formas que o romance vem tomando com a multiplicidade de situações que a vida moderna propõe. Milton Hatoum surge em meio a essa multiplicidade. Nascido em Manaus em 1952, o escritor e também arquiteto é mestre em Letras pela USP e professor de Língua e Literatura Francesa da Universidade do Amazonas. Morou em Brasília, na Espanha, na França e nos Estados Unidos. Talvez por isso apresente no seu texto grande influência de escritores como Virginia Woolf, Faulkner e Proust. A propósito, o leitor que já leu esses autores, consegue passear facilmente pela história, enquanto o leitor ainda não familiarizado com esse estilo pode sentir certa estranheza.

Ambientado na década de 50, “Relato de um certo Oriente” apresenta uma mulher descrevendo ao irmão, que vive na Espanha, sua volta à cidade natal, Manaus, depois de muitos anos ausente. No decorrer de sua narrativa, descobrimos que esta mulher, assim como o irmão, foi adotada e criada por Emilie, matriarca de uma família libanesa e astro-rei da casa que a narradora reconstrói em seu relato e que serve de cenário para os intensos conflitos e dramas surgidos entre os personagens dessa história. Porém, esses relatos não são feitos de forma linear, e o leitor é obrigado a organizar as informações que misturam passado, presente e futuro. No fim do livro as vozes se encaixam num coral coeso através da narradora principal, que esclarece ao leitor (se dirigindo ao seu irmão) como os relatos foram organizados.


“…ao final de cada passagem, de cada depoimento, tudo se embaralhava em desconexas constelações de episódios, rumores de todos os cantos , fatos medíocres, datas e dados em abundância. Quando conseguia organizar os episódios em desordem ou encadear vozes, então surgia uma lacuna onde habitavam o esquecimento e a hesitação: um espaço morto que minava a seqüência de idéias.”


Eis a grande semelhança entre Milton Hatoum e os demais autores acima mencionados. Seus textos propositalmente misturam vozes e tempos distintos, transmitindo uma idéia de simultaneidade. Como em um processo de revelação fotográfica , somos apresentados aos personagens e fatos vagarosamente de maneira aleatória. Aos poucos vamos conseguindo enxergar a história como um todo, construindo a linha do tempo dos acontecimentos narrados, assim como montamos nossa própria memória. As imagens são sempre interditas. Ao invés de se descrever a morte, por exemplo, descreve-se o luto ou a sua confrontação. Construção semelhante a que Virgínia Woolf fez em seu livro “To The Lighthouse” (no Brasil o título é traduzido por “Ao Farol”, “Rumo ao Farol” ou “Passeio ao Farol”), no qual os fatos não são narrados de maneira linear, mostrando o passado simultaneamente ao presente, obrigando o leitor a participar ativamente da construção da história.

O grande ponto positivo do romance é realmente sua estrutura que permite com que o leitor seja ativo e não passivo. Hatoum não apresenta um roteiro pronto e organizado de modo que o leitor possa apenas ler passivamente a história. Cada capítulo é construído de modo a instigar o pensamento, aguçar a curiosidade e a criatividade do leitor que é levado a organizar a história por si próprio.

O tema central da obra é realmente a memória. O autor conseguiu expressar muito bem no texto a forma fragmentária como nossa memória se comporta, num verdadeiro vai e vem no tempo e no espaço, fazendo com que a história se tornasse muito mais verossímil para os leitores. De fato, o autor revelou em certa entrevista que se inspirou na história de sua própria família e na de amigos para escrever o livro.

Interessante observar também que a narradora principal, como ela mesma relata no último capítulo, plana “como um pássaro gigantesco sobre as outras vozes. Assim, os depoimentos gravados, os incidentes, e tudo o que era audível e visível passou a ser norteado por uma única voz…”. A cada novo capítulo o leitor precisa se esforçar para descobrir quem é o narrador, sempre orientado pela narradora principal, passeando por várias vozes como as do fotógrafo Dorner, do tio Hakin e da vizinha Hindié.

Outra coisa que chama atenção na obra é o fato dela se ambientar em Manaus, surpreendendo àqueles que pensavam que o Brasil começava no Rio de Janeiro e acabava em Salvador. Nunca se esperava que, dentro da literatura brasileira, um romance sobre um drama familiar se ambientasse na Amazônia. O tema do retorno às origens parece refletir um desejo de retorno do próprio autor ao passado de sua cidade natal: Manaus.

O livro de Hatoum é mais que uma história de estrangeiros, mas de exilados, de pessoas que perderam sua cultura, sua religião, sua língua. Todos os personagens sofrem um certo tipo de exílio: Emir exilou sua irmã Emilie do convento, obrigando-a a voltar para casa, assim como ela o arrancou de Marselha; o tio Hanna e o marido de Emilie saíram do Líbano para um eterno exílio na floresta; Samara Délia, filha de Emilie, foi exilada de sua família quando engravidou ainda solteira; Soraya Ângela se sentia exilada do mundo por ser surda. A própria narradora principal, filha adotiva de Emilie, passa anos exilada numa clínica psiquiátrica. Logo, os personagens buscam redescobrir seu passado em objetos, nos rabiscos, na borra de café no fundo da xícara. Podemos notar isso por exemplo no apego que a Emilie tem por um relógio de parede antigo.
“Perguntei várias vezes à minha mãe por que o relógio e, depois de muitas evasivas, ela me pediu que repetisse a frase que eu pronunciava ao olhar a lua cheia (…) ‘é a luz da noite’.”

É interessante observar que a protagonista não tem voz no romance. Vários narradores vêm nos guiar nessa viagem ao passado, mas Emilie não é um deles. Todos estão intimamente ligados a ela, contam sua relação com a protagonista e sua história. Porém, Emilie possuía autoridade e certo poder sobre todas as vozes do livro e acaba ganhando voz indiretamente. Todos os narradores do livro nos apresentam a matriarca de uma família em ruínas, que carrega consigo toda a história, origem e fim do enredo do romance.

“Relato de um certo Oriente” é o relato de uma perda, ou de várias. A “memória” é realmente o grande tema dessa obra, pois os narradores acabam remontando o passado na busca de suprir essas perdas. Instigante e recheado de personagens interessantes, este é com certeza um romance de estréia forte que permite com que Milton Hatoum seja aclamado como um promissor autor contemporâneo.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

As dores do crescimento



A algum tempo atrás meu avô teve que pedir aos bombeiros que viessem derrubar uma árvore em frente à sua casa. Era um pinheiro lindo, frondoso, que me abrigou em suas sombras em vários momentos da minha infância. Porém, suas raízes estavam se espalhando, compromentendo a estrutura do muro e até da casa do meu avô. Fiquei triste. Os contratempos vindos com o crescimento da árvore não puderam ser suportados. Ou a ávore parava de crescer ou ela teria que dar sua vida, ou seja, ser arrancada. Óbviamente a árvore não tem escolha, logo, meu avô decidiu arranca-la.

Todos querem ser grandes. As crianças sonham em ser adultos. Mas para chegarem a tal estatura, esperimentam dores físicas. As chamadas “dores do crescimento”. Se não aceitarmos essas dores, não crescemos. Se quisermos crescer temos que lutar por isso, e aceitar essas dores até morrer. Essa é a vida.

Não há crescimento sem dor. Eu escolhi crescer. Eu não escolho a dor, escolho lutar para superar a dor.
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