sábado, 23 de dezembro de 2006

Filmes: O ILUSIONISTA x O GRANDE TRUQUE

Mês passado assisti no cinema "O Grande Truque", que trata a respeito dos ilusionistas do século 19. "O Ilusionista" foi lançado nos EUA na mesma semana que "O Grande Truque" e, por tratar da mesma temática e não ter um elenco estrelar, foi ofuscado. Porém isso foi uma grande injustiça, na minha opinião. "O Ilusionista" tem um roteiro muito melhor arrumado e mais bem direcionado, o que não acontece no outro filme, onde é fácil o expectador se desligar da história.


O Ilusionista
Título Original: The Illusionist 
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 110 minutos 

Com reconstituição de época impecável, O Ilusionista é um filme elegante. A fotografia, estonteante, valoriza o excelente trabalho da produção. Ao mesmo tempo em que tem elementos que remetem aos filmes antigos, tem um roteiro cheio de reviravoltas, traições e reencontros.

O ilusionista do título é Eisenheim (Edward Norton). Pobre, cresceu fascinado com pequenos truques de mágica. Cresceu estudando na Europa Oriental, onde aprendeu grandes feitos de ilusionismo. Suas apresentações despertam a curiosidade de um dos mais poderosos e céticos homens da Europa, o Príncipe Leopold. Certo de que as mágicas não passam de fraudes, Leopold vai ao show de Eisenheim disposto a desmascará-lo. Quando Sophie, noiva de Leopold, é chamada ao palco para participar de um número, ela reconhece em Eisenheim uma paixão juvenil. Eles iniciam um romance clandestino e o príncipe delega a um inspetor de polícia a missão de expor a verdade por trás do trabalho do mágico. Este, no entanto, prepara-se para executar a maior de suas ilusões.

O roteiro seduz o expectador, que acompanha cada reviravolta de maneira atônita. Os acontecimentos não se seguem lentamente, mas em uma velocidade em que o expectador consigua caminhar junto e se envolver. No entanto, essa dinâmica é perdida enquanto caminha para o final, especialmente quando ensaia uma história com fundo sobrenatural. A conclusão de O Ilusionista, repleta de reviravoltas e revelações – o que não deixa de surpreender a platéia hipnotizada -, é um tanto quanto atropelada, destoando do resto do filme, desenvolvido com tanto cuidado.



O Grande Truque 
Título Original: The Prestige 
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 128 minutos 


Em muito O Ilusionista se assemelha a O Grande Truque. Porém, neste último, em vez de o foco estar no romance, está no egoísmo humano. Apesar de "O Ilusionista" ser melhor, "O Grande Golpe" tem bom roteiro também e um elenco de primeira. Aliás, apenas nesse quesito esse filme realmente é um grande destaque: o elenco. 

"O Grande Truque" é um filme bonito,certinho,com boa reconstituição de época.Mas, o grande mérito,é a atuação de Hugh Jackman,fenomenal,que tirou(finalmente) a capa do Wolverine! No século 19, em Londres, Rupert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale) são dois mágicos cuja amizade transforma-se numa amarga rivalidade. A rivalidade torna-se tão intensa que ambos acabam tomando atitudes drásticas, que marcam as vidas de todos que os rodeiam.

Poucas vezes na história do cinema se viu duas pessoas que se odeiam tanto quando Angier e Borden. E saber retratar este ódio é um dos maiores trunfos da direção de Christopher Nolan. Com um roteiro extremamente inteligente, "O Grande Truque" é um filme que merece ser conferido. O longa nos ensina que para um bom truque funcionar basta fazer a audiência prestar atenção em uma coisa, enquanto o que realmente importa acontece às escondidas. Uma história que mostra até onde vai o orgulho do ser humano em não aceitar uma derrota.

O grande problema desse filme está mesmo na edição. Alguns cortes são extremamente bruscos e algumas montagens dão um ar de desleixo ao filme. Uma pena. Além disso, o ritmo extremamente acelerado e não claro pode confundir o expectador que não for muito bem atento. 




Em suma, os dois são ótimos filmes, sendo "O Ilusionista" melhor, na minha opinião. Porém, os dois são pérolas e grandes destaques do ano e merecem ser conferidos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Filme: Um Bom Ano

Um Bom Ano 
Título Original: A Good Year 
Gênero: Comédia/Drama
Tempo de Duração: 118 minutos


O diretor Ridley Scott e o ator Russel Crowe trabalharam juntos em O GLADIADOR, o resultado foi o filme mais premiado do ano. Dessa vez Ridley Scott resolveu fazer diferente. Produziu um filme simples, sensível e emocionante. Com Russell Crowe mais uma vez esbanjando talento, "Um Bom Ano" é um bom filme cuja história tocante definitivamente não faz feio.

Sinopse: Aos 11 anos, Max Skinner (Freddie Highmore) é cuidadosamente educado na arte de saborear vinhos por seu tio Henry (Albert Finney), dono de um vinhedo na França. Adulto, Max (Russell Crowe) torna-se um bem-sucedido homem de negócios em Londres, tendo lucro as custas de outros, fazendo 'maracutais'. Certo dia Max recebe a notícia de que Henry morreu, o deixando como único herdeiro. Prevendo bons negócios, resolve fazer uma rápida viagem para visitar a nova propriedade. Mas, uma vez ali, percebe que não será tão fácil vender o lugar que lhe traz tantas lembranças de infância.

O título desse filme em espanhol pode ser traduzido como "Um amor inesperado". Quem lê esse resumo do filme não prevê que ele transita também por duas histórias de amor. Um homem frio e calculista vê-se sensibilizado pelo amor de seu avô (único parente vivo) e de uma mulher que o vê por trás de suas máscaras. 

O elenco é totalmente brilhante. Sou suspeito para falar de Russel Crowe, pois ele é um dos meus atores favoritos desde "Uma Mente Brilhante". Mas ele transmite com perfeição a imagem do homem durão e que esbanja superioridade no trabalho, mas que esconde um lado sensível ao reencontrar sua infância na casa de seu tio. Impressionante seus trejeitos, sua cara de pateta quando não mais se vê adaptado aos estranhos costumes de uma cidade de interior. Da mesma forma, impressionante sua firmeza quando o personagem se mostra decidido a algo. O garoto Freddie Highmore, que já havia brilhado e emocionado em"Em Busca da Terra do Nunca", pareceu captar com exatidão o jeito de Crowe ao interpretar o mesmo personagem mais novo.

A coisa mais deliciosa de "Um Bom Ano" é a maneira como Scott explora as lembranças. Quem já leu Clarice Lispector sabe que ela mostra em suas obras como um simples objeto, um lugar, uma situação é suficiente para todo um filme passar na cabeça de uma pessoa, memórias boas ou ruins que ficaram presas no passado voltam à tona em questão de instantes. Desencadeia-se uma crise ou um momento de emoção intensa. Acho que todos já passaram por isso. O personagem de Crowe é tocado pela saudade daquela casa no interior, do avô falecido ao ver retratos, objetos que lembram essas recordações.

Muito bem feito o momento em que ele vai jogar uma partida de tênis com o caseiro (muito bem vivido por Didier Bourdon), e é mostrado ele indignado por ter perdido uma partida de tênis quando criança, e após vencer quando adulto, dá sozinho pulos de alegria como comemoração. Muito bom também um diálogo dele com a bela Marion Cotillard onde ele, relutante em permanecer na casa onde passou a infância, afirma que não está preparado para aquele tipo de ambiente. Ela, de maneira inteligente, responde que é o ambiente que não está preparado para uma pessoa como ele.

O mais interessante é o ambiente do filme, muito diferente dos conhecidos cenários hollywoodianos, aprecendo uma típica produção européia. Não só porque ele foi todo rodado na França, mas por ter um foco diferente do de Hollywood: ao invés do foco estar num fato, o foco está nos personagens.

Ambiente leve, humor leve, romance leve, impossível, ao assistir essa obra de arte, não se sentir confortável e... leve! "Um Bom Ano" é uma demonstração de que cinema não precisa de grandes atrativos para ter qualidade.
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